Quando a lua se despede
Acordei cedo, desses despertares em que o mundo ainda boceja. Fui até a janela quase por hábito, quase por necessidade, e lá estava ela: a lua, inteira, silenciosa, se despedindo da noite. Há nela um fascínio que nunca soube explicar direito, uma influência sutil que toma conta de mim por inteiro, como se sua presença alterasse algo em meu interior. Na véspera, não a vi. O céu estava fechado, pesado, e fui dormir com aquela solidão sem nome, como quem perde um encontro marcado. Mas o dia amanhece — e isso muda tudo. A lua, paciente, parecia dizer que algumas ausências são apenas pausas. Que nem tudo o que se encobre desaparece. Sempre me espanta essa energia silenciosa que ela carrega, algo que não ilumina apenas o céu, mas mexe com zonas que não sei nomear. Ela se retirava devagar pelo oeste, enquanto o sol, ainda tímido, ensaiava sua chegada pelo leste. Um movimento simples, repetido desde sempre, mas que insiste em nos lembrar: os ciclos seguem, mesmo quando a gente duvida. Há...