O custo de ser quem somos
"Não permita que o comportamento dos outros tire a sua paz interior”, diz o Dalai Lama. Fácil de ler, difícil de praticar. Porque, no fim das contas, cada pessoa que cruza o nosso caminho parece carregar uma versão diferente de nós no bolso. Para alguns, somos guerreiros incansáveis; para outros, ingratos que não reconhecem nada. Há quem nos veja como referência, e há quem nos enxergue como ultrapassados. Em certos olhos, somos humildes e bem-intencionados; em outros, arrogantes, egocêntricos, quase uma caricatura do que jamais fomos. E o curioso é que nenhuma dessas versões é totalmente nossa. São reflexos, recortes, projeções. Somos o que fazemos, sim — mas também somos o que a cabeça e o coração alheios inventam sobre nós. E isso, por mais que doa admitir, está completamente fora do nosso alcance. Ainda assim, insistimos em tentar explicar nossas escolhas, justificar nossos passos, corrigir interpretações que não pedimos. Gastamos energia tentando...